A importância do comércio local

 A importância do comércio local

O consumo em empresas locais colabora para o crescimento econômico da cidade, estimula novos negócios e gera empregos

As cidades de todo o mundo têm passado por um momento difícil, desde a comunidade de pessoas físicas até as empresas de todos os portes, devido às proporções que tomou a pandemia do vírus covid-19. Com relação a isso, tem surgido diversos movimentos e pontos de vista, que tem focado em vários setores que muitas vezes não eram reconhecidos. Esses movimentos têm estimulado a compra local e a importância de gerar recursos dentro do município.

A escolha pelo mercadinho da esquina ou pelo restaurante ao lado da sua casa pode colaborar para o crescimento econômico de sua cidade. Além de uma opção prática, comprar dos negócios locais estimula a economia da região e contribui para os setores que geram empregos.  Essa compra local também estimula o empreendedorismo e fixa as pessoas nas cidades, uma vez que, com mais empregos, o poder aquisitivo da população melhora. Para que isso aconteça, é importante que os empresário e consumidores valorizem as empresas locais.

Lúcia é proprietária do mercado do bairro e faz as unhas no salão da Mariana. Camila é dona do restaurante, onde a manicure Mariana almoça. Para se deslocar, Camila utiliza os serviços do motorista Jorge. Quando vai cortar o cabelo, Jorge é atendido pelo por Carlos. Com frequência, o barbeiro Carlos compra no mercado da Lúcia.

Lucas Hahn, coordenador estadual de Comércio e Mercado do Sebrae/PR, explica que o segmento do comércio movimenta uma cadeia. A cadeia de indústria para a produção, de serviços para manutenção e faz com que gere e aqueça a renda local. “Quando as pessoas consomem dentro do próprio bairro ou do município, faz com que haja uma distribuição de renda, resultando em um impacto real em toda a cadeia. Isso faz com que a economia se movimente, aqueça e gere uma riqueza maior para todos”, disse ele.

Segundo Hahn, valorizar o que é feito no município dá a oportunidade de fortalecer os contatos e os relacionamentos dentro da cidade, o que gera frutos para novas compras e geração de novos negócios e empregos locais. “Outro fator importante é que, em relação ao deslocamento, podem existir problemas relacionados à falta de tempo, ao trânsito intenso e à insegurança”. Ele comenta que, nesse caso, não é preciso se deslocar para encontrar a mesma qualidade de serviços e produtos, pois encontra no próprio local.

O coordenador comenta que as pessoas compram mais na cidade quando se sentem mais atraídas pelo produto e seus diferenciais, pelas opções que uma loja possui e também quando verificam que a loja traz valor para a vizinhança. “É importantes que os empresários locais se conscientizem da importância da população para seus empreendimentos, entender qual a parcela da população que consome no comércio local”.

Lucas afirma que a partir desse ponto, os empresários devem mostrar que têm produtos de qualidade, uma boa variedade de produtos, atendimento diferenciado e que podem fazer algum tipo de negociação diferenciada. “Com isso, a vizinhança passa a colocar aquele estabelecimento como referência para as suas escolhas. A partir disso, se cria um círculo de fluxo de renda que fica na cidade”. 

Lucas enfatiza que é uma tendência fazer mini aglomerados nas cidades maiores e de médio porte, porque as pessoas estão com dificuldade de tempo e locomoção. “Há uma preocupação de que se o comércio não entrega uma variedade de produtos com proposta de valor aderente à população do entorno, desde qualidade, inclusão, atendimento e tratamento ao cliente, pode haver consequências reversas”. Segundo o coordenador, é importante que o comércio local se sensibilize à realidade da cidade e faça ações que a valorizem.

Para Carla Bueno Brasil, diretora geral da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Fazenda Rio Grande, a constante compra no comércio resulta na economia local por meio de fornecimento de materiais e prestações de serviços, entre empresas e população de uma mesma cidade. “São muitos os benefícios, onde todos saem ganhando, ocorrendo desta forma o fortalecimento do comércio local”. 

Ela comenta que ao comprar no comércio local, se promove o desenvolvimento do município, que contribui para o aumento de novos postos de trabalho, recolhe impostos municipais e inspira mais investimentos em diversas áreas. “Nós devemos fazer a nossa parte e ter consciência de que o consumo em nossa região traz benefícios, pois estamos investindo na valorização de nossos bens e consequentemente da cidade”. 

Segundo Carla, o crescimento da cidade trouxe variedades de opções de compras e serviços em vários nichos (farmácias, mercados, pizzarias, roupas, calçados, salões de beleza, barbearias) entre tantos. O que faz com que a população tenha mais comodidade, economia e diversidade.

Para que haja atração de clientes para a compra local, a diretora visualiza que é importante que a população tenha a visão de crescimento como um todo.  Sugere que todos contribuam com sugestões, sendo consumidores mais exigentes.

“Enquanto consumidor, ao pesquisar e buscar melhores preços, opções e dar sugestões, nós estimulamos a competitividade entre as empresas locais. A partir disso, elas buscarão soluções para se destacar no mercado e priorizar a qualidade em seus produtos, serviços, preços e principalmente, o atendimento”.

Avalia que a mudança de cenário de cidade-dormitório para cidade de oportunidades, Fazenda Rio Grande transformou-se em uma cidade-satélite e tem se expandido muito no cenário comercial. “Grandes empresas de atacado e varejo estão se instalando e além de aumentar a demanda de vendas dentro da cidade, a população dos municípios vizinhos estão vindo consumir produtos e serviços aqui. Isso muda drasticamente o cenário para uma cidade de oportunidades e desenvolvimento acelerado”, finalizou Carla.

Fernanda Pesarini, consultora do Sebrae/PR, diz que comprar na cidade aquece a economia local e contribui para a melhoria da sociedade. “Quando compramos no comércio do município estamos o favorecendo, gerando empregos na cidade e criando uma cadeia de desenvolvimento”. Segundo ela, para que isso aconteça, as cidades precisam focar em inovação, no desenvolvimento do comércio e das lojas e em agregar serviços, para que facilite o dia a dia do consumidor. “É preciso estreitar cada vez mais o relacionamento com os clientes para gerar esse movimento”. 

A consultora comenta que essa cadeia é importante justamente para que as pessoas se desenvolvam dentro da cidade e com isso, o município também cresça. “A população da cidade precisam ter sensibilidade, tanto pela iniciativa privada como pela pública, da importância de consumir internamente. As empresas devem buscar inovação e melhoria dos empreendimentos, do atendimento, da diversidade dos produtos e serviços”, disse Fernanda.

Kelly Cristina, proprietária da loja Empório Lá em Casa, comenta que o empresário fazendense se beneficia quando há uma evolução no comércio local, pois aumenta sua receita, o que faz com que o negócio cresça junto com a cidade. “Quando o empresário opta por fornecedores locais, pode haver uma diminuição de custos, como na logística e armazenamento de produtos. Nós priorizamos essas duas frentes: vender para o consumidor fazendense e comprar, sempre que possível de fornecedores locais”, disse. 

A proprietária comenta que a maioria dos seus clientes são moradores de Fazenda Rio Grande e os demais são de cidades próximas como Mandirituba, Quitandinha, Curitiba e Araucária. “Um dos principais objetivos do Lá em Casa é suprir a necessidade que a população ainda tem em se deslocar para outro município para adquirir determinados produtos”. Segundo ela, existe uma ampla competição por conquistar o consumidor fazendense que trabalha ou estuda na capital e muitas vezes consume lá também.

Para Kelly, o empreendedor local deve apostar na proximidade com o cliente, associada ao bom atendimento, e assim gerar um ótimo relacionamento e utilizar este para entender melhor as necessidades. “Tudo isso aliado à variedade, qualidade dos produtos e preços acessíveis”, finalizou.

Edna e Rosane Tortato, proprietárias da Tortato Auto Peças, comentam que o seu público principal de clientes está em Fazenda Rio Grande. “Já vendemos para outras cidades, mas muito pouco. No nosso ramo há muita concorrência com lojas de Curitiba, pois as oficinas têm a abertura de comprar em distribuidoras, que é onde compramos”. Afirmam que outro ponto é que muitos preferem procurar lojas com um nome famoso na capital do que procurar no comércio local. “As pessoas têm a impressão que em Curitiba é mais fácil e barato de comprar”. 

Elas alertam que se mais pessoas comprarem no comércio local, isso afeta positivamente a cidade e todos saem ganhando. “Tanto em questão de arrecadação quanto em fazer a economia circular. Cabe a nós empresários, com o apoio da Associação comercial, buscar meios de divulgar e atrair os consumidores ao comércio local”, finalizou.

A ACINFAZ encomendou do instituto CEPPE (Centro de Estudos, Pesquisas e Planejamento Empresarial) do Brasil uma pesquisa para saber a opinião do consumidor fazendense com relação a compra no comércio local. Essa pesquisa foi realizada em março de 2020, na cidade de Fazenda Rio Grande, foram levantadas algumas informações. 93% dos moradores têm consciência que comprar dentro do município contribui com o desenvolvimento da cidade, com a geração de emprego e venda.

Porém, a pesquisa identificou alguns pontos a melhorar, algumas das citações fala que preferem comprar em Curitiba pois existe diferença nos preços, a variedades de produtos, lojas em shoppings e o diferente horário do comércio local. Por exemplo, muitos que trabalham em na capital voltam para Fazenda Rio Grande quando o comércio já está fechado, por isso acabam fazendo as compras em Curitiba. A pesquisa também identificou que aqueles que ainda compram fora da cidade, buscam por vestuário, eletroeletrônicos, alimentos, bebidas, produtos higiene, beleza, saúde e lazer.

Apesar de Fazenda Rio Grande contar com uma boa rede diversificada de comércios, com vários setores, segmentos e portes, um dos questionamentos da pesquisa é que o município ainda pode explorar e investir mais no que falta. A cidade está crescendo e em desenvolvimento, por isso é preciso que essas demandas sejam atendidas, para gerar essa competitividade com o comércio de outras regiões.

Você tem uma empresa na região? Então, prefira contratar mão de obra local, escolha produtos regionais e compre de fornecedores da vizinhança. Todo empreendimento demanda insumos, dos mais básicos aos mais específicos, que podem ser adquiridos regionalmente. Aposte também por divulgar seu negócio em mídias físicas, que tem um grande potencial de alcance na população local. Veja algumas ideias para envolver a comunidade e fortalecer os negócios regionais:

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Participe de ações regionais, como campanhas para ajuda social ou eventos locais. Contribua para causas de sua cidade ou bairro;

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Ofereça oficinas (relacionadas ou não à atividade principal de seu negócio) que possam contribuir para a capacitação da comunidade. Por exemplo, abordar temas voltados à reciclagem, cozinha, treinamento de mão de obra, cases de sucesso ou outras ações de voluntariado. Convide outros empreendedores para participar das ações e faça um trabalho conjunto;

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Participe de alguns ciclos de palestras junto aos empresários locais, onde tenha especialistas da região que possam dividir seu conhecimento com os participantes. Nesses eventos, sempre surgem boas ideias, parcerias e negócios interessantes;

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Faça parcerias com outros empreendimentos locais, estimulando a chamada economia colaborativa, na qual os negócios se complementam, com ganhos mútuos.

Empresário, ouça mais o consumidor e fique atento às críticas, sugestões, comportamento de consumo e opiniões dos clientes. Assim, as chances dos empreendimentos se adaptarem e crescerem é maior. Muitas vezes não é fácil competir com grandes concorrentes, sejam da capital ou da internet, mas  a compra local deve ser constantemente lembrada, tanto para os empresários quanto aos consumidores. Fazenda Rio Grande está em desenvolvimento, venha fazer parte da associação e acompanhar esse crescimento. 

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ACINFAZ