Internet nossa de cada dia

 Internet nossa de cada dia

Conheça os avanços e dificuldades que existem nos meios de acesso pelos quais os usuários podem se conectar a internet”

Em dez anos, o número de pessoas no Brasil que tem acesso à internet dobrou. De acordo com dados da Brazil Digital Report, Universidade de Stanford, 67% da população, aproximadamente 140 milhões de pessoas, têm conexão. A maioria do uso da internet concentra-se nas cidades e 71% das pessoas que acessam, possuem smartphones conectados nove horas por dia. Atualmente é utilizada para diversos fins e acessada por vários meios, como por exemplo, fibra óptica, satélite, rádio, antenas, etc.

A internet é algo de grande importância para os empresários, pensando nisso, a ACINFAZ, entrou em contato com empresas especializadas para conhecer a história e demonstrar o atual cenário da internet em Fazenda Rio Grande. Confira:

História da internet

Na década de 1950, o presidente dos Estados Unidos criou uma agência que colaborava com acadêmicos e industriais para desenvolver tecnologias, a ARPA (Agência de Projetos e Pesquisa Avançada). Um grande avanço foi a criação do sistema de comutação de pacotes, um método de troca de dados entre máquinas. Havia também o estudo e a implantação de pontos de informações entre máquinas, que funcionam como um local de verificação para que a informação não se perca. As ligações eram todas feitas via cabo e, bases militares e institutos de pesquisa foram os primeiros a utilizar.

A primeira conexão em rede foi estabelecida em outubro de 1969, entre a Universidade da Califórnia em Los Angeles e o Stanford Research Institute, a quase 650 quilômetros. A primeira mensagem trocada seria “login”, mas apenas as primeiras duas primeiras letras foram identificadas e o sistema saiu do ar.

Em 1972 foi inventado o email, uma forma mais fácil de troca de mensagens e nessa época, já eram 29 pontos conectados. Começou então o pensamento de que o mundo precisava de uma rede aberta e esse processo de interconectar redes, ou nets, foi abreviado para “internetting”. Em 1985, a internet já estava mais estabelecida como uma tecnologia de comunicação entre pesquisadores e desenvolvedores. Aos poucos, ela sairia das universidades e começaria a ser adotada pelo mundo corporativo e por último pelo público em geral.

Em 1990, houveram três avanços: as URLs, endereços únicos para identificar a fonte de páginas na web. O HTTP, protocolo de transferência de hipertexto, que é a forma de comunicação base, e o HTML, que é a formatação escolhida para disposição de conteúdos. Nascia também a World Wide Web (rede de alcance mundial), ou WWW (designa um sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na Internet).

As conexões passaram para redes que usavam um só idioma de comunicação. Depois, veio um espaço mundial e padronizado de troca de conteúdos, com uma conexão discada na rede de telefonia. Essa conexão ficou mais rápida e virou banda larga. Hoje, existe a transmissão de sinal sem fio, conhecida como WiFi, e também os dados móveis, sem precisar de um ponto de acesso, 4G por exemplo.

No Brasil

A internet no Brasil iniciou-se em setembro de 1988, quando o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), localizado no Rio de Janeiro, conseguiu acesso à Bitnet, através de uma conexão estabelecida com a Universidade de Maryland.

No final de 1994, a Embratel (Empresa Brasileira de Telecomunicações) iniciou seu serviço de acesso à internet em caráter experimental e usuários foram escolhidos para testar o serviço. Alguns meses depois, em 1995, o acesso à internet começou a funcionar de modo definitivo. O grande começo da rede aconteceu ao longo do próximo ano, um pouco pela melhoria nos serviços prestados pela Embratel, mas principalmente pelo crescimento natural do mercado.

 

Visão de futuro

O multimilionário Elon Musk, dono da SpaceX e fundador da Tesla, lançou em maio, o primeiro de 12 mil satélites Starlink, que prometem cobrir a terra com internet de alta velocidade. Serão necessários mais 24 lançamentos para que a rede Starlink ofereça conexão de internet para praticamente todos as regiões povoadas e 30, para cobrir todo o planeta. Então, para cobrir todo o planeta são necessários 18 mil satélites.

A distribuição de internet por satélite funciona da seguinte maneira: antenas no local atendido transmitem os dados para os satélites, que os direcionam para estações em terra conectadas com a internet. O uso de satélites para a conexão à internet não é novidade, até poucos anos atrás, esse link era feito por satélites geoestacionários, que ficam parados sobre um ponto do planeta a cerca de 36 mil quilômetros de altitude.

 

Internet em Fazenda Rio Grande

Emilene Zonta foi uma das pioneiras na área de internet em Fazenda Rio Grande. Em 1999, ela e mais dois sócios abriram a empresa Click Net Informática, provedora de internet e assistência técnica, que ficou 16 anos na cidade. Na época, a região tinha interurbano e era caro para as empresas fazerem ligação e conseguir conexão. “Eu vi essa necessidade e resolvi abrir uma empresa de tecnologia. Fizemos contato com a Embratel e conseguimos trazer via rádio, que era um equipamento caríssimo, mas podíamos passar a internet para as pessoas”, contou Emilene.

No início dos trabalhos, tinham a loja de computadores também, que funcionava junto com a provedora. “Então a maioria dos clientes comprava o computador e já instalávamos a internet. Nós fizemos sorteios de um computador entre as escolas e doações no dia das crianças”. Emilene afirma que todos tinham interesse na internet, mas que em pouco tempo pararam de prover a internet, pois o interurbano saiu e não tinham como concorrer com grandes operadoras, como a IG e UOL. “Nossa região sempre foi muito carente, as empresas que vinham aqui não tinham muito acesso a esse tipo de informação. Então, depois que caiu o interurbano, não tinha necessidade de fazer via rádio, porque era mais lenta e com preços mais altos”.

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VM Telecom

Para a gerente da VM Telecom, Micheli Batista, a cidade de Fazenda Rio Grande possui inúmeras opções de empresas no ramo de internet, cada uma com seu diferencial e potencial. Ela vê que as maiores dificuldades tem relação com o fluxo de moradores que não possuem residência fixa, que acabam migrando para outras cidades e não finalizam contratos.

Micheli também comenta que a infraestrutura de algumas ruas da cidade ainda é muito precária, o que dificulta o deslocamento dos técnicos, ocasionando desgastes dos veículos de transportes. “Outro problema está relacionado com a localização dos postes, em ruas estreitas, fato que dificulta o trabalho da equipe técnica, que atua na planta externa”, complementa.

De acordo com a gerente, a VM Telecom realizou uma pesquisa de mercado, onde a insatisfação dos consumidores com relação à prestação do serviço de internet era muito alta no município, bem como o tempo de espera nas ligações telefônicas e a demora das operadoras em resolver as demandas dos clientes. Micheli comentou: “O fato do setor de telecomunicações ser muito competitivo e muitas empresas manterem o foco apenas em conquistar cada vez mais clientes, sem se preocupar com a qualidade, foi o que nos motivou a sermos diferentes”.

A gerente da empresa afirma que vem buscando o aprimoramento constante da infraestrutura de rede, “visto que, é essencial investir cada vez mais em qualidade e velocidade, para levar até as residências e comércios fazendenses, um serviço sério e que atenda as necessidades e supere as expectativas”, finalizou.

Nova Fibra

Leandro de Barros, coordenador comercial e administrativo da Nova Fibra Telecom, afirma que o mercado de internet está em crescimento em Fazenda Rio Grande e que atualmente existem várias empresas provedoras ou operadoras de internet. “Mais empresas tendem a chegar na cidade e as que são de casa tem buscado se profissionalizar ainda mais”, disse ele.

Barros diz que as dificuldades são as mesmas de qualquer empresa do ramo de serviços, a inadimplência. Ele comentou: “A internet passou a ser tratada por muitos consumidores como item de necessidade e urgência, mas ainda acaba sendo um dos primeiros serviços a atrasar quando o cliente tem dificuldades”.

Para Leandro a infraestrutura que envolve a cidade tem reclamações, mas existe uma situação que incomoda as empresas. “A cidade tem muito condomínio e muitos foram feitos com uma infraestrutura totalmente desprepara para atender uma demanda grande ou pensando em tecnologias novas de internet, como no caso de fibra”. Ele comenta que outra dificuldade é a questão da fiação dos postes.

“Ainda há bairros que a pessoa não tem muita opção de internet. Alguns têm três ou quatro opções e outros sem nenhuma”, comenta Leandro. Ele afirma que em um ano que estão na cidade, adicionaram mais de três mil clientes, em apenas dois bairros. “A demanda foi muito alta, porque o cliente estava cansado de pagar um valor alto por uma internet baixa”. Porém, ele projeta que cidade não mais sofrem com esse problema em alguns anos. “As projeções para o futuro da internet na Fazenda são muito boas, tenho certeza que a tendência é só melhorar”, finalizou ele.

Fiber One

Para Pedro Reinaldo Pereira, diretor regional da Fiber One, o mercado de internet em Fazenda Rio Grande é bastante concorrido. Ele afirma que existem dificuldades, principalmente com relação a regulamentação, expansão de rede e a concorrência, que acaba desvalorizando o setor. “São muitas normas governamentais que precisam ser atendidas, isso demanda cuidado com a burocracia e experiência de gestão”, disse ele.

Pereira diz que existem problemas de infraestrutura na cidade, como ruas não pavimentadas e segurança pública insuficiente que acarretam em problemas com furto de cabos. De acordo com ele, o que os clientes mais tem reclamado é em relação a entregas de fatura. “Isso passa muito por problemas com correios que não entregam, atrasam e cartas retidas. São fatores que estão fora do nosso controle e que atrapalham bastante”.

Porém, para ele, os consumidores tem motivos para gostar do produto, como a qualidade de serviço, que envolve alta velocidade e estabilidade. “Outro ponto positivo é acessibilidade. Nossos preços são muito competitivos, com um padrão mais elevado”. Pedro afirma que a empresa foi criada com o objetivo de revolucionar o mercado local e expandir, levando o nome de Fazenda Rio Grande para todo o país.

Pedro, também comenta que para o futuro, a Fiber One irá cobrir toda a cidade com rede. “Vamos oferecer outros serviços de telecomunicações, que vão além de internet. Estrategicamente não podemos revelar, mas são planos que já estão sendo colocados em prática para que as novidades cheguem na hora certa”, comentou ele.

 

Como escolher o provedor de internet para a sua empresa?

Engenheiro José Ricardo Benazzi dá algumas dicas de como escolher, analisar o provedor de internet ideal para o negócio. De acordo com ele, é preciso em primeiro lugar, definir se é um negócio pequeno, médio ou grande para poder entender a necessidade de estrutura de equipamentos, taxa e banda. É preciso também analisar o grau de dependência da empresa, se faz emissão de NFe, utiliza somente com redes sociais, tem interação com o público, cliente, fornecedores, faz consultas na internet, utiliza a conexão somente em horário comercial. São alguns pontos importantes para saber o quão dependente de internet o empreendimento é.

Benazzi lista os principais requisitos para analisar a empresa provedora: aspectos legais, taxa e cobertura. Sobre os aspectos legais: pela resolução da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), todo provedor de internet é obrigado a ter registro da empresa no respectivo CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), ter um engenheiro como responsável técnico, devidamente registrado no CREA e utilizar equipamentos devidamente homologados, certificados pela ANATEL.

A taxa, ou como é chamada popularmente, “velocidade” da internet é de grande importância também, saber identificar a quantidade de acesso, do uso do site principal. E também é necessário analisar a cobertura que a empresa provedora oferece, se chega até o local desejado. Outros fatores como confiabilidade, contingências, meios (fibra e rádio), equipamentos: duplicação e backup, trajeto e roteamento, manutenção, resiliência, recuperação e gerenciamento de trafego, são de extrema importância na hora de escolher a empresa provedora de internet para o negócio.

José Ricardo Benazzi é graduado em telecomunicações, ingressou na Telecomunicações do Paraná – TELEPAR em 1974, no núcleo da Diretoria Técnica, tendo exercido diversos cargos técnicos e gerenciais, incluindo a Coordenação Geral de Engenharia e a Diretoria Técnica. Atualmente é instrutor da UNISAT Consultoria e Treinamento Ltda, bem como responsável técnico por dois provedores de internet no estado do Paraná. Proprietário da PRIME Consultoria em Telecomunicações Ltda e também palestrante em congressos nacionais e internacionais.

 

ACINFAZ

A ACINFAZ ouviu a demanda dos associados em relação ao problema de internet na cidade. Através da representatividade, está buscando possíveis formas de minimizar esse empasse, com reuniões estratégicas e debates para que essas questões possam ser resolvidas. “Pela era digital em que vivemos, a internet de qualidade é fundamental para que os negócios consigam seguir normalmente e as empresas obtenham maiores resultados”, disse Vagner Cardoso, agente comercial da entidade.

ACINFAZ