Entrevista: Jefferson Nogaroli (Edição 111 – agosto/2017)

 Entrevista: Jefferson Nogaroli (Edição 111 – agosto/2017)
Jefferson Nogaroli (Foto: Arnaldo Alves/ANPr)

Jefferson Nogaroli é empresário e presidente do Sicoob Central Unicoob. Já presidiu também o Sebrae/PR, a Federação das Associações Comercias e Empresariais do Paraná (Faciap) e a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM).

Participou da criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (CODEM), em 1996, através do qual se desenvolveram planos para o futuro da cidade, como o Masterplan, um planejamento para até 2047, quando Maringá completará 100 anos.

O Fazenda Rio Grande 2050 é inspirado nos resultados que os maringaenses vêm tendo desde a fundação do CODEM e a ideia visa, justamente, o planejamento da cidade a longo prazo, de forma inteligente e ordenada.

Leia a entrevista com Jefferson Nogaroli, morador de Maringá, que vem acompanhando e participando do desenvolvimento de uma cidade que se volta para o futuro.

O senhor possui um relevante histórico no sistema associativista do Paraná, além da participação no CODEM Maringá como conselheiro do Masterplan. Por que decidiu se envolver em uma causa como essa?

Minha formação é em geografia e na faculdade eu aprendi um pouco sobre gestão urbana e sociologia. A gente percebe que as pessoas, aqui no Brasil e nos países latinos, de um modo geral, se envolvem pouco com as coisas da comunidade. Elas delargam para o poder público, que precisa de apoio, de cobrança e de supervisão.

Quando eu era diretor da ACIM, nós organizamos um movimento que culminou na criação do CODEM. Em 1996, nós fizemos o primeiro projeto de futuro para a cidade, o Maringá 2020. Isso norteou uma série de ações. A gente foi, como sociedade civil, ajudando o governo a tomar decisões, o que normalmente não empolga as pessoas, porque são pequenas coisas feitas a longo prazo e que não dão resultado imediato, mas que ao longo do tempo geram grande fortalecimento da cidade. Esse projeto já é uma tradição aqui em Maringá.

Em 2010, o CODEM revisou o plano para 2030. Esse mesmo grupo analisou que nós faríamos 100 anos em 2047 e que seria muito bom pensar em um plano mais “parrudo”, contratando uma empresa para fazer o estudo socioeconômico e, de uma maneira mais profissional, pensar qual seria o futuro que a gente quer para os nossos filhos e netos, para que possamos entregar para eles uma cidade, no mínimo, igual a que a gente pegou, já que melhorar, às vezes, não é tão fácil.

Sendo o CODEM uma inspiração para o Plano de Desenvolvimento Local fazendense, no qual está inserida a ideia do Fazenda Rio Grande 2050, o senhor poderia nos dizer o que Fazenda pode esperar como resultado dessa proposta?

Pode esperar uma cidade melhor. Na verdade, nós delargamos o poder e às vezes o poder público pode pouco, ou pode nada, tem situações que são difíceis e é preciso ter um plano de longo prazo. Eu acho que essa é a grande estratégia. A prefeitura é o ente permanente e o prefeito e sua equipe são os gestores desse órgão, então, muitas vezes, há a descontinuidade.

Um prefeito entra e fala que vai fazer tal coisa em determinada área. Depois, entra outro que, por questões políticas ou ideológicas, não mantém os projetos do antecessor e assim sucessivamente. É como se fosse uma perpetuação de um ciclo maldito, onde um constrói e o outro destrói, fazendo com que a gente não avance. Esse modelo propõe que haja um plano diretor de longo prazo, pelo qual o prefeito até faça o que pretende conforme o seu plano de governo, mas sem sair muito dessa diretriz.

Em sua opinião, qual é a importância do poder público se envolver em um Plano de Desenvolvimento Local? Sem esse envolvimento, o senhor acha que a sociedade civil organizada, por si só, teria condições de conduzir um projeto assim?

A sociedade pode fazer o projeto sim, mas tem que envolver o poder público. Ela pode até discordar do governo, isso pode ser saudável, mas esse envolvimento é fundamental, senão você não tem a legitimação do processo. Pode haver discordância e, desde que a comunidade entenda que aquele é o melhor caminho, se apresenta um projeto, até porque esse governo pode amanhã não estar mais lá e a sociedade se articula para poder exercer algum tipo de pressão. Isso faz parte do jogo democrático.

ACINFAZ

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