Entrevista: Edson Campagnolo (Edição 110 – julho/2017)

 Entrevista: Edson Campagnolo (Edição 110 – julho/2017)
Edson Campagnolo

Edson Campagnolo é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Foi eleito em 2011 para comandar a entidade, tendo sido reeleito em 2015 para mais um mandato de quatro anos. É também vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em sua vida empresarial, sempre teve envolvimento com o associativismo, tendo presidido a Associação Comercial e Empresarial de Capanema, a Coordenadoria das Associações Empresariais do Sudoeste do Paraná e o Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar). Antes de assumir a presidência da Fiep, ocupou o cargo de vice- presidente da entidade por dois mandatos. Ao comentar sobre o Fazenda Rio Grande 2050, o presidente ressalta a importância da participação de todos os segmentos econômicos em um projeto como esse, que pensa no futuro. Para ele, “o planejamento precisa estar no topo das prioridades de qualquer município”. Leia a entrevista:

O senhor já ouviu falar sobre o Fazenda Rio Grande 2050 em eventos e reuniões da Associação Comercial. Como avalia essa ideia de planejar o futuro de uma cidade a longo prazo?

O planejamento precisa estar no topo das prioridades de qualquer município. E essa responsabilidade não é apenas daqueles que ocupam cargos na administração pública – prefeito, secretários e vereadores, no caso das cidades. Todos nós, enquanto cidadãos, devemos nos envolver nos debates sobre o futuro do local onde vivemos. Nesse processo, é fundamental a pró- atividade de instituições da sociedade civil organizada para que a comunidade, sem conotações políticas, trace estratégias de longo prazo para o desenvolvimento do município. É sempre importante ter entidades e pessoas que estejam pensando no hoje, mas com um olhar no futuro. E é justamente isso que iniciativas como o Fazenda Rio Grande 2050 proporcionam, promovendo a união de ideias e esforços em prol da coletividade. Isso certamente fará diferença para o município nas próximas décadas.

De que forma o setor industrial do município e a Fiep, diretamente conectados a CASIN (Câmara Setorial das Indústrias da ACINFAZ), podem contribuir com um projeto como o Fazenda Rio Grande 2050? O senhor considera que a participação do setor industrial pode fazer a diferença?

A participação de todos os segmentos econômicos é importante em movimentos como este. Indústria, agricultura, comércio e serviços geram empregos e renda para a população, além de serem os principais responsáveis pelos impostos que mantém a administração pública. Para que possam se desenvolver plenamente e exercer de maneira cada vez mais eficiente esse papel social, as empresas dos diferentes segmentos precisam de um ambiente propício aos negócios, o que passa necessariamente pelo planejamento da cidade em que estão instaladas. Portanto, não há dúvidas que a participação do setor empresarial no projeto, apontando suas necessidades para o futuro, é fundamental. No caso específico da indústria, as empresas estão cada vez mais preocupadas em exercer suas atividades em harmonia com seu entorno, seja no aspecto social ou ambiental, entre outros. Ao colocar essa visão no Fazenda Rio Grande 2050, com certeza as indústrias da cidade terão muito a contribuir com a iniciativa.

Em Fazenda Rio Grande, comenta-se muito sobre o potencial industrial da cidade, considerando aspectos que favorecem a chegada de novas empresas: localização geográfi ca privilegiada, proximidade de portos e aeroporto, topografi a regular, legislação municipal e disponibilidade de mão de obra são alguns deles. O senhor concorda que esses fatores fazem do município uma grande opção em relação a outros municípios da região metropolitana, com potencial de atrair indústrias de diversos portes, segmentos e nacionalidades?

Fazenda Rio Grande apresenta algumas condições que realmente favorecem a atração de investimentos industriais. Prova disso são as várias empresas, de diversos portes e segmentos, que se instalaram no município nos últimos anos. E isso será importante para a cidade no futuro, já que o setor industrial gera empregos de qualidade, que aumentam a renda da população, e também contribui para uma maior arrecadação dos cofres públicos. É importante, porém, que a política de desenvolvimento industrial não seja uma inciativa isolada de uma gestão. Questões como a oferta de uma educação de qualidade – essencial para formar a mão de obra demandada pelas indústrias –, a manutenção de uma infraestrutura urbana adequada e a redução da burocracia na gestão pública, entre tantos outros fatores, devem estar entre as prioridades de toda a sociedade do município. Como já foi dito anteriormente, iniciativas como o Fazenda Rio Grande 2050 podem ter um papel importante para que isso efetivamente seja colocado no planejamento da cidade, tornando-se uma política de longo prazo e não algo pontual.

ACINFAZ

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