Entrevista: Darci Piana (Edição 105 – fevereiro/2017)

 Entrevista: Darci Piana (Edição 105 – fevereiro/2017)
Darci Piana

Darci Piana é presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac PR e um bem- sucedido empreendedor paranaense. Nesta edição, ele comenta sobre a importância do planejamento para qualquer gestão. Piana destaca também o crescimento de Fazenda Rio Grande, uma cidade que “percebeu há tempos que não pode ficar refém da economia da capital”. Por fim, ele fala a respeito de sustentabilidade e da necessidade de se pensar no tema. Leia a entrevista:

A ACINFAZ se prepara para pôr em prática, junto com o poder público e a sociedade civil organizada, a ideia do Fazenda Rio Grande 2050. O principal objetivo é promover e planejar o desenvolvimento do município a longo prazo. No ano passado, foi elaborado pela Fecomércio o Masterplan PR 2026, visando o planejamento de ações estratégicas em prol do setor de turismo do Paraná. Enquanto presidente da principal entidade representativa do comércio paranaense, por que o senhor considera importante planejar e pensar no futuro?

Em primeiro lugar é preciso estabelecer que sem planejamento não há gestão. O país perdeu suas referências na área de planejamento, embora todas as instâncias do poder público tenham suas próprias Secretarias de Planejamento e Gestão. É inacreditável. Se esses órgãos cumprissem suas funções, não teríamos o caos administrativo-financeiro que imobiliza estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além de centenas de municípios. Em segundo lugar, é preciso que pensemos o futuro. A Fecomércio e as demais entidades do setor produtivo participam do Fórum Futuro 10, destinado a planejar ações que impactem a economia paranaense na próxima década. O Masterplan 2026 integra-se a esse contexto. Temos muitas deficiências de infraestrutura, que não serão resolvidas a curto prazo, mas precisam ser planejadas para ser viabilizadas. Não é mais possível, por exemplo, que sejamos obrigados a assistir absurdos como a duplicação da Rodovia Régis Bittencourt, que liga Curitiba a São Paulo, obra iniciada há 43 anos e ainda não concluída.

Uma das propostas do Fazenda Rio Grande 2050 é fortalecer a economia da cidade. O senhor acredita que um município organizado pode atrair mais empresas e investidores?

Fazenda Rio Grande vem fazendo seu dever de casa. A atração de empresas é uma forma clássica de incentivar a economia, porque traz investimentos, desenvolve o comércio e a indústria e gera empregos. Tenho tido a oportunidade, ao longo dos anos, de testemunhar o crescimento do município. É inegável seu esforço para fugir do estereótipo das cidades- dormitório. Fazenda Rio Grande percebeu há tempos que não pode ficar refém da economia da capital, ela precisa gerar seu próprio PIB. Isso vem sendo feito, com eficiência.

Em sua opinião, de que forma um projeto voltado para o futuro pode impactar no comércio do jovem município de Fazenda Rio Grande?

É necessário que a gestão do município atente para as múltiplas possibilidades geradas pela economia criativa, uma alternativa limpa e sustentável. Não vamos esquecer que a sustentabilidade será o paradigma da próxima década. Quanto mais adequados os parâmetros sustentáveis melhores serão os índices aferidos, o que gera uma corrente virtuosa e impulsiona o município ao desenvolvimento almejado. O comércio de bens, serviços e turismo é um grande beneficiário desta nova tendência. Esta é a vantagem de um município jovem: as suas administrações podem determinar qual tipo de desenvolvimento será mais adequado à população, levando qualidade de vida a todos os seus cidadãos.

ACINFAZ

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