Entrevista: Antonio Siderlei Baldan (Edição 106 – março/2017)

 Entrevista: Antonio Siderlei Baldan (Edição 106 – março/2017)
Antonio Siderlei Baldan

Antonio Siderlei Baldan acompanhou o processo de emancipação política de Fazenda Rio Grande, foi um dos fundadores da ACINFAZ e o primeiro presidente da entidade, onde exerce atualmente a função de coordenador do Conselho Superior. Ele comenta sobre o crescimento da cidade ao longo dos anos e fala sobre a necessidade do município conter um plano de desenvolvimento para que não exista um colapso no futuro, mas ressalta o potencial que Fazenda tem para tornar-se excelente. Veja o que ele diz:

Baldan, o senhor foi um dos fundadores e o primeiro presidente da ACINFAZ quando Fazenda Rio Grande ainda era um município recém-emancipado. O que o levou a participar da fundação da entidade em uma cidade que acabava de nascer? Naquele tempo, o senhor já pensava no futuro?

Na época, eu tinha uma indústria e Fazenda Rio Grande era conhecida como uma cidade dormitório. Como empresário, junto de alguns amigos, busquei outros empresários para abrir a Associação Comercial, pois faltava infraestrutura para o município, como bancos, telefonia, energia, etc. Nós tínhamos também uma carência de mão de obra qualificada. Assim, procuramos apoio e ajudamos a trazer a infraestrutura que o empresário precisava naquele tempo. Como fazendense nato, sinto orgulho e quero ver essa cidade crescendo, mas de uma maneira bem estruturada e planejada. É por isso que estamos com esse trabalho de cobrar dos poderes executivo e legislativo um projeto para a cidade, pois pouco foi olhado para isso nos últimos tempos. Hoje, nós temos uma equipe que está voltada para o desenvolvimento em toda as áreas, não apenas para o comércio ou indústria.

Como o senhor avalia o crescimento de Fazenda Rio Grande nos últimos 24 anos, ou seja, desde que foi fundada a ACINFAZ?

A emancipação de Fazenda Rio Grande me deixou surpreso, pois nós não tínhamos nada no município, havia apenas um postinho do Banestado e só, não tínhamos mercado, nem postos de saúde, por exemplo. Estávamos buscando gente de fora, de outras regiões do Paraná, para abrir aqui frentes de loteamentos. Na época da emancipação, nós éramos em cerca de 1.200 moradores, muito pouco. Quando fui eleito o primeiro presidente da Associação Comercial pelos empresários da época, que também eram poucos, busquei as empresas que sentiam dificuldades, para ir atrás de condições. Eu vejo que a Fazenda tem muito a crescer, mas se nós não planejarmos, o município poderá viver um colapso. Já observamos o trânsito, que está congestionado em horário de pico, mas me preocupa ainda mais pensar no abastecimento de água e energia para o futuro. Com o Fazenda Rio Grande 2050, nós devemos ter um plano de tratamento de água e esgoto, pois o crescimento é grande e nós podemos ter uma crise no que se refere ao fornecimento de água tratada e energia. Atualmente, nós temos um PIB [Produto Interno Bruto] que mantém essa estrutura. Porém, se crescermos mais um pouco, precisaremos de mais recursos e isso deve ser resolvido rapidamente. É preciso pensar, estudar e cobrar do executivo e do legislativo, assim como do governo do estado, pois precisamos somar forças. Um dos papéis da ACINFAZ é apoiar o desenvolvimento.

Para o senhor, de que forma o Fazenda Rio Grande 2050 pode impactar no futuro do município?

Fazenda Rio Grande, geograficamente falando, é uma cidade que tem tudo para ser excelente: nós estamos em uma área plana, próxima de portos, de aeroporto, a BR-116 passa por aqui, etc. Isso torna o município favorável para crescimento, mas um crescimento que deve ser ordenado. Nós precisamos fiscalizar, pois estamos pagando caro pelos erros do passado. Com a ideia do Fazenda Rio Grande 2050, nós tendemos a não pagar mais por isso e poderemos investir naquilo que é necessário e no que a cidade precisa. É claro que dependemos de recursos também, mas o planejamento pode fazer com que tudo aconteça. O desenvolvimento vai trazer empreendedores que vêm investir por causa deste trabalho ordenado e projetado no papel.

ACINFAZ

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