Entrevista: Allan Costa (Edição 114 – novembro/2017)

 Entrevista: Allan Costa (Edição 114 – novembro/2017)
Allan Costa (Foto: Divulgação)

Allan Costa é palestrante, investidor-anjo, empreendedor e mentor de startups. Autor do livro “60 Dias em Harvard”, cofundador da plataforma de inovação AAA (em parceria com Arthur Igreja e Ricardo Amorim), cofundador da Curitiba Angels, fundador da Allan Costa Palestras e Consultoria e cofundador da B! Storytelling. É investidor e mentor de 10 startups. É formado pelo programa de gestão avançada da Harvard Business School, Mestre pela FGV e MSc pela universidade de Lancaster (UK).

Em setembro, Costa realizou uma palestra para o empresariado fazendense, no Encontro de Negócios e Empreendedorismo, promovido pela Associação Comercial e Industrial de Fazenda Rio Grande (ACINFAZ). Leia a entrevista e saiba o que ele tem a dizer sobre o Fazenda Rio Grande 2050.

Recentemente, você esteve em Fazenda Rio Grande para palestrar em um evento da ACINFAZ e, na ocasião, pôde conhecer um pouco a cidade e também o projeto Fazenda Rio Grande 2050. Como avalia a ideia de planejar o futuro de um município a longo prazo?

Planejar o desenvolvimento de um município a longo prazo é a única forma de caminhar de forma efetiva na construção de um futuro melhor para todos. Infelizmente, no Brasil, criamos o hábito, ao longo do tempo, de falar de projetos de governo, ao invés de projetos de desenvolvimento. Projetos dessa natureza precisam de prazo para se desenvolverem, e esse tempo, normalmente, é maior a um ou dois mandatos eletivos. A falta de continuidade inerente a “projetos de governo” acaba trazendo brutais dificuldades a um processo de desenvolvimento sustentável efetivo. Quando chego a Fazenda Rio Grande e conheço um projeto como o 2050, isso ajuda a manter viva a esperança de que é possível, sim, construir um Brasil melhor. Não por acaso, encontrei um auditório absolutamente lotado de empresários e empreendedores buscando desenvolvimento, conhecimento, oportunidades. O futuro não acontece por acaso, ele é criado. E esse projeto, seguramente, está caminhando na direção de criar o futuro que a população de Fazenda Rio Grande almeja.

Em entrevista para a Revista ACINFAZ, ao falar sobre a importância de eventos empresariais para a cidade, você comentou que a possibilidade de troca de experiências faz o empresariado e todo o município crescerem. Disse também que “Fazenda Rio Grande é um município muito dinâmico, jovem, que está crescendo rapidamente e que tem obtido resultados expressivos”. Como você vê a participação das empresas no desenvolvimento de uma cidade?

Uma cidade, um estado, um País, só se desenvolvem com uma classe empresarial forte. As experiências do passado e os desmandos recentes do Brasil mostram que um mundo em que o estado resolve todos os problemas e em que o empresário é o vilão, só dá certo nos livros embolorados nas estantes. Na prática, para distribuir riqueza é preciso criá-la. E quem a cria, é uma classe empresarial forte e representativa. Os anos do passado recente no Brasil criaram uma divisão entre “nós e eles” que é absurda! O empresário e o trabalhador não são inimigos, ao contrário, são parceiros e complementares em qualquer processo de desenvolvimento. É preciso que essa divisão esdrúxula que procurou criar um mundo maniqueísta com fins eleitoreiros seja deixada no passado. É só olhar o exemplo de cidades em que existe uma parceria produtiva entre setor público e privado, com o intuito de facilitar o desenvolvimento de negócios competitivos e geradores de emprego. É aí que se cria a riqueza necessária, para que possamos falar de forma concreta – e não baseada em discursos vazios e demagógicos – em melhorar a condição econômica e social da população como um todo.

Entre muitas qualificações, você é empresário, palestrante, investidor e consultor reconhecido nacionalmente, o que possivelmente te faz estar atento a inúmeros temas do mundo empreendedor. A importância de ter uma marca e de se preocupar com ela, por exemplo, são pontos inerentes ao meio organizacional. Em sua opinião, trabalhar a marca de um projeto, como o Fazenda Rio Grande 2050, tem o mesmo valor do que fazer a manutenção de uma marca corporativa?

Ela tem um valor maior do que marcas corporativas. É fácil entender porque: uma marca corporativa, por mais valiosa e global que ela seja, trata de um escopo cujo interesse é predominantemente da própria empresa e de seus acionistas. E por mais que sejamos fãs de determinada marca, ela diz respeito a aspectos que, normalmente, são temporários – o consumo de um produto, a compra de um bem, o uso de um serviço – mas cujo impacto na nossa vida é temporário e específico. Quando falamos de uma marca como Fazenda Rio Grande 2050, não estamos falando apenas de uma marca. Estamos falando do sonho das pessoas, estamos falando de algo que interfere diretamente na vida de milhares de pessoas e de gerações que ainda virão. Por isso o trabalho de uma marca como essa é tão importante. Se trabalhada de forma efetiva, ela cria um propósito em torno do qual as pessoas se aglutinam. Quando seres humanos se unem em torno de um objetivo maior que tem no centro o propósito de criar uma cidade melhor, isso transforma a marca – e o projeto que ela representa – em algo que é de propriedade de todos, aumentando exponencialmente suas chances de sucesso. É assim que se constroem legados grandiosos: criando sonhos compartilhados.

ACINFAZ

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